Desastre Ambiental em Padre Bernardo: Lixão Desaba e Município Entra em Estado de Emergência
Padre Bernardo (GO) – A Prefeitura de Padre Bernardo, no Entorno do Distrito Federal, decretou estado de emergência por 180 dias após o desmoronamento do lixão municipal, ocorrido em 18 de junho. O acidente ambiental provocou a contaminação do córrego Santa Bárbara e, em sequência, do rio do Sal, ambos localizados em uma área de preservação permanente.
O lixão, que vinha sendo operado sem licença ambiental válida e sem os estudos exigidos por lei, estava sob responsabilidade da empresa Ouro Verde. A tragédia expôs falhas graves na fiscalização e no manejo de resíduos sólidos no município, e acendeu um alerta sobre os riscos ambientais e sociais da destinação inadequada do lixo.
Ações emergenciais e resposta do poder público
Em reação ao desastre, o prefeito Joseleide Lázaro Luiz da Silva assinou um decreto na segunda-feira (23) que reconhece oficialmente a situação de emergência. A medida permite mobilizar recursos públicos de forma mais ágil, autoriza a abertura de crédito extraordinário para ações imediatas e convoca órgãos estaduais e municipais a prestarem apoio nas áreas atingidas. O documento também prevê a possibilidade de mobilização de voluntários para colaborar na arrecadação de recursos.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad), junto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), também foi acionada para contribuir com as medidas de contenção e recuperação da área afetada.
Plano de contenção e pressa na resposta
A empresa Ouro Verde apresentou um plano emergencial visando o isolamento hidráulico do local atingido, com o objetivo de impedir que o leito do córrego continue passando próximo ao ponto de deslizamento. O plano propõe duas soluções: uma por bombeamento da água e outra por escoamento utilizando o declive natural do terreno.
A Semad analisou a proposta e autorizou sua execução de forma parcial. No entanto, exigiu que a empresa, em até 24 horas, entregue os documentos e projetos executivos complementares que comprovem a viabilidade técnica da intervenção.
As etapas previstas no plano incluem:
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Interceptação do fluxo de água antes do ponto de contato com os resíduos;
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Desvio da água por tubulações laterais, com escoamento por gravidade ou bombeamento, conforme necessidade técnica;
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Descarte da água em local previamente identificado, sem risco de contaminação.
Impacto ambiental e riscos à população
Apesar de o acidente ter provocado a poluição de importantes corpos hídricos da região, a Semad afirma que o abastecimento público de Brasília não será afetado, uma vez que o rio Descoberto, manancial da capital federal, não foi comprometido diretamente.
A secretária de Meio Ambiente, Andréa Vulcanis, classificou o desabamento como resultado da atuação irregular do aterro, que não possuía autorização ambiental nem estudos adequados de impacto. O local foi interditado e está proibido de receber novos resíduos.
Resposta da empresa
Em nota divulgada no dia 20 de junho, o Aterro Sanitário Ouro Verde reconheceu o incidente, lamentou o ocorrido e informou que não houve vítimas. A empresa também declarou que ativou imediatamente seu plano de contingência e que está tomando medidas técnicas para conter os danos.
Reflexo da negligência
O episódio escancara os desafios enfrentados por municípios do Entorno do DF na gestão de resíduos sólidos e levanta questionamentos sobre a atuação das autoridades ambientais. Moradores e lideranças locais cobram maior fiscalização e alternativas sustentáveis para o descarte do lixo produzido na região.
Enquanto isso, Padre Bernardo vive os reflexos de uma tragédia ambiental cujas consequências podem se estender por meses — com impactos no ecossistema, na saúde pública e na confiança da população nas instituições responsáveis por protegê-la.










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